terça-feira, 17 de março de 2009

Cópãêirus e Cópãêiras

Se for pouco, o negóço é botar na popança

Helane Carine Aragão
http://helanecarine.blogspot.com/
hcabomfim@gmail.com

Eu queria entender a mágica do presidente da república. Com letra minúscula mesmo. Vejamos: Quando grandes potências estavam se afundando em uma crise financeira mundial, ele colocou o Brasil num patamar acima da inundação. Construiu uma forte barricada e com os pulmões cheios de ar se lançou ao mar e garantiu que nada do que acontecia no mercado externo provocaria reflexos na economia brasileira. Os Estados Unidos entram em recessão, empresas nacionais iniciaram demissões em massa, mesmo aceitando recursos do governo federal para manter as máquinas girando e os funcionários gerando consumo doméstico para manter aquecido o mercado interno. Blá, blá, blá. Ontem o internacional Lula esteve em Nova York, participando de um seminário para investidores. Em outras palavras, ou seja, as minhas, o presidente elucubrou o seguinte:

Você, perrapado, que ganha pouco, vai ganhar ainda menos se continuar usando a caderneta de poupança como forma de guardar dinheiro. Cópâêiru, por causa da crise, os títulos do governo que eram pagos através do seu investimento em títulos dos bancos, se tornaram menos atrativos, pois estes últimos estão rendendo menos que as poupanças. ( Cerca de 0,58% de rendimento da caderneta contra míseros 0,48% dos títulos de renda variável). E tudo sabe por quê? Porque o Banco Central foi pressionado a manter a taxa de juros selic sem aumentar para que todo mundo ficasse feliz. Resultado: agora vou ter que impedir que os ricos invistam na poupança para que continuem pagando pelos meus títulos. E isso não é de agora. Tomei essa atitude há dois anos atrás. (Tradução minha)
* * *

Lembro quando eu comecei a trabalhar, o discurso da minha mãe, ao me ver sair todo fim de semana com a turma, era: “Minha filha, não gaste seu dinheiro com farra. Guarde seu dinheirinho na poupança, faça um pé de meia. Você não sabe do futuro”. Categoricamente o futuro foi resultado de duas eleições, as quais, mamãe votou no 13. Pura ironia do destino. Por isso meu plano de investimento hoje é comprar euro. Podem criticar à vontade, fazer análises e conjecturas de mercado. Só fico triste que tenho que investir quase três vezes o valor do real para conseguir um mísero eurinho e o Brasil, mesmo crescendo menos em 2009 ( cerca de 0,5% conforme projeções do Ipea) perderá por volta de R$ 145 bi. Mas o presidente é incapaz de dizer que a economia irá recuar. Iremos crescer menus Cópãêira.Nosso presidente é um cara positivo! Se Nostradamus tivesse conhecido Lula, com certeza ele não teria previsto o fim do mundo.

domingo, 15 de março de 2009

CACHORRADA

Helane Carine Aragão
Engraçado os assuntos que são noticiados nos jornais baianos. Leio o jornal da Metrópole todas as sextas-feiras - mais pelo costume que se iguala ao dos países europeus que lotam ônibus e metros diariamente com jornais gratuitos e que trazem assuntos diversos – que pelo conteúdo do folhetim. A intenção do Metrópole é louvável, pois disponibiliza leitura e informação para pessoas que preferem textos rápidos e temas que giram esfera social: política, economia, cultura e morte de animais, além de ser distribuído gratuitamente.
Essa sexta-feira um assunto me chamou a atenção e por este motivo nem li o resto do periódico. Em destaque, como matéria principal na última página do exemplar - Tudo bem que era a última! - foi publicada a morte de Godofredo, Godô, para os íntimos. O texto quase me fez chorar de comoção e de saudade por um ser que eu nem conheci e que se fez parecer humano. Godofredo, segundo o informativo de Mário Kertész, era inteligente e educado. Sabia recepcionar as pessoas e era muito mais que um cachorro, ou seja, um gentleman. Pasme!
O interessante é que a "matéria está acima de um espaço fixo no jornal, que informa datas de aniversários de personalidades que "deixaram saudade (ou não)". Entre os nomes aparecem: Irmã Dulce, Karl Marx, Tim Maia e o comediante Zacarias. É de se questionar se o texto era para compor um vazio por falta de assunto, ou - mais provável – o adeus do cãozinho sharpei merecia de fato ser noticiado. Afinal a despedida emocionada ao mascote rendeu declarações do antropólogo Roberto Albergaria, do próprio Mário Kertész e - Sente-se! - do ministro Geddel Vieria Lima (PMDB).
Tudo bem que a capa do jornal Correio da Bahia traz como fato principal desta sexta-feira a morte de uma jovem de 17 anos e que se investiga se a causa da morte foi por dengue hemorrágica. Fazer o quê? Ao nível da publicidade dispensada à gravidez de Cláudia Leitte ( ex-Babado, atual Guaraná Champagne), Godô é quase uma celebridade internacional. Fico tentando imaginar as últimas palavras em seu leito de morte. Teria sido au-au?
Talvez os valores morais e noticiosos da sociedade baiana estejam subvertidos e devam ser reanalisados. Talvez como membro da família Metrópole, Godô mereça mais atenção que um caso grave de saúde pública. Talvez eu deva comprar um cachorro e rever os meus conceitos. Talvez. Quanto será que custa um boxer?

domingo, 30 de novembro de 2008

Cadê o dinheiro?

Enquanto crianças entre 4 e 6 anos estão fora das creches e escolas, o valor destinado à educação some da previsão orçamentária de 2009. E ai, Seu João? Cadê as promessas de campanha?
Helane Carine Aragão
Começou na quarta-feira ,12 de novembro, na Câmara Municipal de Salvador os trabalhos para discussão do projeto de lei que dispõe sobre o Orçamento 2009 da Prefeitura, cujo valor aproxima-se da casa dos R$ 3 bilhões. Por lei, 25% (Vinte e cinco por cento), ou seja, cerca de R$ 750 milhões do orçamento municipal deve ser destinado obrigatoriamente para a Educação.

Contudo, o deputado Sandoval Guimarães disse que "a maior parte desse recurso deverá ser aplicada em obras de encostas, pavimentação de ruas, banho de iluminação e nas obras projetadas pela Prefeitura, a exemplo da Boca do Rio, Imbuí e Avenida Vasco da Gama, que passarão por um processo de urbanização e implantação de calçadões, como ocorreu na Avenida Centenário. Fala-se que as intervenções são de necessidade da comunidade e que outra parte dos investimentos contemplará os setores da saúde e educação", bem diferente das propostas apresentadas pelo prefeito na campanha das eleições mais recentes.

O projeto de lei que foi encaminhado à Câmara, teve sua elaboração conduzida de forma criteriosa, tendo o desenvolvimento econômico e social como foco primordial, pelo menos é o que dizem. A prefeitura administra 59 creches e 411 escolas, das quais apenas 233 são municipalizadas. O restante recebe pagamento de aluguéis ou funcionam em sistema de cessão de salas de aula.

O projeto de Lei orçamentária no site www.cms.ba.gov.br prevê despesas fiscais de R$ 426.904.000 para a Educação, dos quais R$ 410.009.000 serão destinados à manutenção e apenas R$ 16.895.000 para ampliações de projetos. Enquanto 650 mil crianças estão fora de creches e pré-escolas ou são matriculadas em creches comunitárias sofrem com vários problemas, como péssima infra-estrutura, falta de apoio governamental e problemas com alimentação. Mas se ainda restam R$ 426.903.996 do total que deveria ser investido em educação infantil, responsabilidade do município, porque as crianças são obrigadas a viver nestas condições nos bairros mais carentes de Salvador?

O bom João e suas promessas

A principal proposta de Educação do governo de João Henrique é um programa do MEC

Alice Coelho
Karina Oliveira

A cada eleição os políticos deparam-se com o desafio de convencer as pessoas de que são os candidatos mais preparados para governar a cidade, o estado ou o país.

As estratégias costumam ser: prometer, prometer e prometer. Com isso, esperam despertar a confiança do eleitorado e sagrar-se vencedor do pleito.

O candidato reeleito do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), João Henrique Carneiro Barradas não fez diferente e focou sua campanha em propostas voltadas para educação. No segundo turno, o candidato aliou-se a Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), do Partido Democrata (DEM) e comprometeu-se a agregar as propostas apresentadas por eles.

Apesar do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ter saltado da 26ª posição para a 16ª, nos últimos quatro anos, as propostas de Carneiro para a área de educação podem ser consideradas, em primeiro momento, superficiais: aumento do número de creches, criação do Projeto Escola em Período Integral, Projeto Escola de Pais, contratação de professores, ampliação de cotas para estudantes universitários, criação de Centros Integrados de Educação Profissional, incentivo à qualificação dos professores e colocar Salvador entre os três primeiros no Ideb do país.

O “carro-chefe” das propostas de João Henrique é uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC): o Programa Mais Educação. É através dele, que escolas municipais de diversos municípios do país, que possuem o Ideb abaixo de 2,0 e que sofram com a violência e exploração de crianças, estão sendo beneficiadas com escola em tempo integral. Ou seja: nada de novo. O projeto já vem sendo executado desde agosto.

E falando em coisas velhas, segundo a assessoria de comunicação do prefeito, da parceria com o DEM, o que o governo de João Henrique está absorvendo é esse projeto. Nem na hora da parceria encontramos novidades.
Nos resta saber se ao menos teremos continuidade nas ações que contribuíram para elevar Salvador em 10 pontos no Ideb nacional. A permanência do atual secretário de educação, que indicaria essa tendência, ainda não foi confirmada. Se mantivermos o ritmo, nos próximos quatro anos, chegaremos a 6ª posição.

Mas a dúvida reside se as metas assumidas por Carneiro serão cumpridas e se serão de fato, postas em prática. Será realmente esse o interesse dos políticos? Tirar os jovens, o futuro da nação, do marasmo e da ignorância que os cercam?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

"E agora José?"

Helane Carine Aragão


Depois da crise gerada no mercado financeiro mundial pelo setor imobiliário estadunidense, o Brasil parece se sentir imune o suficiente para quase imitar o erro dos Estados Unidos.


Como indica a reportagem do jornal O Globo online, a idéia do governo é injetar, hoje, 29/10/2008, R$3 bilhões no setor da construção civil, para criar uma espécie de fundo para garantir empréstimos às construtoras e assim promover um aumento na produção de moradias. Até ai, tudo bem. O que me deixa intrigada é que as mesmas construtoras terão até três anos para pagar os empréstimos facilitados pela CEF com juros de 11% ao ano, mais TR. Para conseguir o dinheiro e quitar a dívida os construtores precisam vender as novas habitações aos futuros mutuários. Agora entra a questão: se com os salários recebidos mal dá para fazer o supermercado do mês, como é que as pessoas vão comprar a casa própria?


Há 40 dias estive em Madri e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a quantidade de imóveis colocados à venda através de anúncios nas janelas dos edifícios. Cheguei a comentar a minha constatação com um morador da cidade e este me disse que era por causa da crise. "E os espanhóis são super vidrados neste lance de ter uma casa própria. Muitos trabalham para isso!". Hoje o COPOM discute a taxa de juros que subiu 2,5 pontos em um ano. O salário mínimo continua estacionado em R$ 415,00 e a FGV vem divulgando aumentos acumulados já em alguns setores. Enquanto o governo em geral diz que não há com o que se preocupar, pois o Brasil está preparado para a crise, a declaração do próprio ministro da fazenda Guido Mantega é um pouco diferente. Ele já fala em recessão, mas não, ainda, em depressão.


Paguemos para ver. Ou melhor, o governo paga...

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Desabafo

Essa matéria foi feita no 3° semestre para a matéria de Oficina de Mídia Impressa I. O acordo com o professor era que se todos entregassem a matéria no prazo ela seria publicada no jornal Kalabari...doce ilusão...estamos hoje no 5° semestre, outros Kalabaris já foram publicados e a sentença já foi dada: - "Esse Kalabari de vocês não vai mais sair". Resultado: corremos atrás, lutamos para conseguir pelo menos que fossem impressos um jornal para cada aluno, afinal de contas seria um material de portifólio, mas para variar não deu em nada e ainda saímos como mal educadas. Esqueceram da falta de respeito e compromisso com a gente. Esqueceram que éramos alunos quase que recém chegados à faculdade, que ver um material nosso impresso seria estimulante e prazeroso. Esqueceram a vergonha quem passamos todas as vezes que os moradores nos cobraram o jornal perguntando quando iria ficar a disposição deles na biblioteca comunitária. Desculpa pessoal do Calabar, mas fizemos o possível. Quanto a nós...alguém se oferece ao menos para pedir desculpas?

Companhia de Balé Afro Kilombo Kalabares